SM VERDADE, JORNALISMO MENTIRA Companheiras e companheiros. Creio que a polêmica do mês passado ficou mesmo por conta da reportagem publicada na revista Playboy que, com direito a chamada no alto da capa, revelava ( sic ) "uma sociedade secreta sadomasoquista". No caso, uma repórter contava o que viu - e o que fez - numa festa do SoMos em São Paulo. Pelo que soube, boa parte da comunidade S&M ficou indignada com o teor da matéria. Até com uma parcela de razão. Mas esta me parece mais uma boa oportunidade para discutir o que realmente queremos quando nos expomos à mídia desta forma. Tornou-se ridiculamente comum, de alguns anos para cá, a idéia do "jornalismo participativo" - ou seja, aquele em que o repórter procura viver uma situação diferente para relatar aos leitores suas impressões. Entre outros, o alemão Günter Wallraff ( Cabeça de porco, Fábrica de mentiras ) alcançou notoriedade com seus livros-reportagem, em que assumia diferentes papéis. Foi este o estilo escolhido - infelizmente, no caso - pela Playboy. Acontece que sadomasoquismo não pode ser "experimentado" dessa forma, e por um motivo muito simples: é algo que dá tesão ou não dá. Para a maioria das pessoas, sofrer ou executar torturas é algo que varia entre o cômico, o desagradável e o execrável. Para nós é a delícia suprema. Esse prazer, porém, não pode ser ensinado. E quem tenta experimentá-lo por simples curiosidade vai fatalmente acreditar que nós, SMers, temos algum desvio. Não sei quanto a vocês, mas eu não tenho a mínima pretensão de ser "compreendido", nem que a humanidade deixe de ser majoritariamente baunilha. A mim basta que respeitem minha forma de sentir prazer. E não vai ser com "divulgações" que vai se conseguir isso. Até setembro! Submissivamente, gregório P.S. A seção de anúncios cresce a olhos vistos!