DIREITO É DIREITO Companheiras e companheiros Recebemos no mês passado uma consulta inusitada. Vou reproduzir aqui o texto. Tenho um escravo e em nosso contrato pago a ele R$0,01 por final de semana de serviços prestados pois não desejo caracterizada a escravidão, embora nunca tenha achado necessário honrar este compromisso. Como me considero uma Senhora justa, quero pagar todos os seus direitos e para tanto necessito que seja calculada sua folha de pagamento incluindo férias e 13º. Eu utilizo de seus serviços há 54 semanas e como nunca o paguei, quero saber de quanto é minha dívida. Como vocês são o sindicato da classe e prestam serviços a comunidade, tenham o obséquio de me fornecer este cálculo pois quero documentar meu acerto de contas. Fico no aguardo de um breve retorno. O departamento jurídico estudou o caso a fundo. Entretanto, a legislação escravista é omissa na questão e não há jurisprudência formada. É claro que poderíamos simplesmente responder "pague quanto a Senhora quiser", mas dizer a uma Domme que faça o que quiser seria uma redundância. Portanto, apelamos para a CLT (Codificação de Laços e Torturas), a fim de calcular o valor exato a ser pago, incluindo o FGTS (Fator de Gratificação por Torturas e Submissão). A conta chegou a exatos R$ 0,69. Esta, porém, é apenas a primeira parte — ou seja, o cálculo da dívida trabalhista em Reais. No caso de ações de natureza servil, segundo nossos advogados, é preciso ainda multiplicar os R$ 0,69 pelo valor venal do servo. Ora, sabemos que submissos não valem nada (ao menos se comparados com suas Donas). Portanto, a dívida já está quitada. Caso a Domme queira efetivamente descaracterizar a relação de escravidão, pode optar também pelo Código de Defesa do Masoquista, que prevê a conversão dos centavos em chicotadas. Nossa proposta de acordo, seguindo a tabela, é de uma dúzia e meia, nas costas. Caso o pedido seja rejeitado, nossos advogados dizem "sim, Senhora" e aceitam qualquer contraproposta. Como todos podem ver, o Sindisub se dedica sem parar na defesa dos direitos de seus associados. A luta continua! Até setembro! Submissivamente gregório