Companheiros e companheiras O fim do ano é uma época em que todos festejam e confraternizam. Os escravos que se comportaram bem ao longo do ano escrevem cartinhas a Papai Noel pedindo uma algema ou uma coleira nova, enquanto Dominadoras ameaçam o bom velhinho com uma surra de chicote caso ele não lhes traga um belo par de botas na noite de Natal. Aproveitando o clima festivo, dou meu modesto presente. Reproduzo algumas das palavras que Aristóteles (384-322 AC) dedicou, em sua Política, à relação entre senhores e escravos. Boa leitura. - "É claro que o domínio da alma sobre o corpo, assim como o da mente e do racional sobre as paixões, é natural e conveniente, ao passo que a eqüidade entre ambos ou o domínio do inferior é sempre doloroso. (...) Assim, quem pode pertencer a outrem, e portanto pertence, é um escravo por natureza. Uma vez que os animais inferiores não concebem a razão, obedecem a paixões. Sem dúvida, o uso dos escravos e dos animais domésticos não é muito diferente, uma vez que em ambos o corpo atende às necessidades da vida. (...) É evidente, portanto, que alguns homens são livres por narureza, enquanto outros são escravos, e que para estes últimos a escravidão é conveniente e justa." - "O abuso da autoridade é nocivo para ambas as partes; pois a parte e o todo, a alma e o corpo, têm interesses id6enticos; e o servo é, em certo sentido, parte do seu senhor, uma parte viva, ainda que separada, de seu corpo. Por esse motivo também é vantajoso que uma afeição mútua subsista entre senhor e escravo, onde quer que eles sejam, por natureza, talhados para este relacionamento." - "Quanto ao conhecimento do senhor, podemos dizer que consiste em saber como usar os escravos; porque um senhor o é não por adquiri-los, mas por utilizá-los." Na verdade, só discordo do velho grego quando ele diz que a mulher é por natureza inferior ao homem - trecho que achei por bem suprimir. De resto, acertou quase tudo. Tenham todos um ótimo fim de ano e um belo milênio novo. submissivamente, gregório P.S. Ah, sim. O aniversário do Sindisub. Nem conto. Ou melhor, conto sim. Quando estava tudo pronto para a inauguração, nossa sede foi atacada e destruída por representantes da Classe Dominante. Os equipamentos foram todos confiscados, os sindicalistas presentes foram açoitados para corrigir sua ousadia e nossa bandeira, que já tremulava no mastro, foi arrancada, rasgada e transformada em capacho. Ou seja: sucesso total! Mal posso esperar pela festa do segundo aniversário!