FEVEREIRO Companheiras e companheiros A carta deste mês defende um valor fundamental do ser humano: a liberdade. Calma! Não estou defendendo o fim da escravidão. Seria uma contradição total. Afinal, como todos sabem, um dos objetivos maiores do Sindisub é que todo submisso seja escravizado. Também não estou me referindo a regras de comportamento menos rígidas, nem a uma maior tolerância por parte da classe patronal. Pelo contrário: quanto mais no cabresto, melhor! Falo de um outro tipo de liberdade. Aquela que reside no íntimo de todo ser humano, a centelha de individualidade que nos diferencia dos animais. Submissão total, como se sabe, é uma fantasia irrealizável. E, como tudo o que é puramente ideal, deve servir como ponto de referência - quanto mais próximos dela, melhor. Creio que faz parte do desejo de qualquer escravo: submeter-se ao ponto de perder por completo a própria vontade, tornar-se um animal, um objeto. Mas, como observa muito bem o companheiro slvrob_SQ, fundador do grupo Tortura Sempre Mais, todos nós somos humanos - o que significa, basicamente, que somos imperfeitos e cometemos erros. Porque, ainda que adestrados ao máximo, somos guiados pela emoção e pela razão. Por isso, sempre seremos livres. Liberdade não é deixar de ser escravo: é estar sujeito apenas à própria vontade. Inclusive, e principalmente, a vontade de ser escravo. Submissão, ainda que parcial, é talvez o mais radical ato de liberdade que um ser humano pode praticar. E um dos que mais libertam a alma. Que todos nós tenhamos sempre a liberdade de servir. É o que mais desejo e o objetivo maior de nosso sindicato. submissivamente, gregório