Companheiras e companheiros No mês passado, cientistas do Projeto Genoma Humano anunciaram a identificação de 97% do código genético do Homo sapiens. Para quem estava acorrentado na masmorra e não ficou sabendo das notícias: isso significa que os genes que determinam as características de cada indivíduo estão mapeados; falta descobrir exatamente qual deles é reponsável por este ou aquele traço — desde o formato do nariz ou a capacidade para produzir insulina no pâncreas até a propensão ao câncer, por exemplo. Como todas as descobertas nesta área, o mapeamento do genoma humano provocou discussões éticas, principalmente pelo risco — cada vez mais próximo da realidade do que da ficção científica — de se programar a geração seguinte. E, certamente, não será um impedimento moral que evitará qie isso aconteça, se for tecnicamente possível e economicamente interessante. Quem não vacilou diante de Hiroshima não vai recuar quando um poder maior for oferecido. A nós, porém, a discussão que interessa é outra: ser Dominante ou submisso é uma característica genética ou adquirida? Talvez as pesquisas vindouras possam esclarecer essa dúvida. A identificação de um posível gene SM confirmaria a tese de que toda rainha já nasce superior. Mas, e nós, escravos? Somos também rastejantes de nascença? Ou é uma opção de vida? Ou é o poder de uma Dona que subjuga um homem e o torna cativo? Perguntas, perguntas. Neste caso, contrariando a minha regra geral, opto pela ignorância. Ou melhor, pela multiplicidade de respostas: que cada um procure dentro de si aquilo que o faz ser como é. Por nascimento ou por mérito, somos todos escravos, e isso é o que interessa. Até agosto! submissivamente gregório P.S. Há novas ofertas na seção de anúncios!