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CONTRATO 3"Meu escravo: As condições sob as quais vos aceito como escravo e vos suporto ao meu lado são as seguintes: Renúncia total ao vosso eu. Com exceção da minha, não tendes vontade. Sois, nas minhas mãos, um instrumento cego, que leva a cabo todas as minhas ordens sem as discutir. Em caso de esquecerdes que sois escravo e de não me obedecerdes em absolutamente tudo, terei o direito de castigar-vos e corrigir-vos segundo me apeteça, sem que possais queixar-vos. Tudo o que vos conceder de agradável e feliz será uma graça da minha parte, e portanto acolhê-la-eis agradecendo-a. Em respeito a vós atuarei sempre sem erros, e não terei nenhum dever. Não sereis nem um filho, nem um irmão, nem um amigo; não sereis mais que o meu escravo jazendo no pó. Do mesmo modo que o vosso corpo, a vossa alma também me pertence, e ainda quando isso vos faça sofrer muito deveis submeter à minha autoridade as vossas sensações e os vossos sentimentos. É-me permitida a maior crueldade, e, se vos mutilar, deveis suportá-lo sem queixumes. Deveis trabalhar para mim como um escravo, e se eu nado em luxos deixando-vos em privações e calcando-vos com os pés, tereis de beijar sem murmurar o pé que vos pisar. Poderei afastar-vos de mim em qualuqer momento, mas não tereis o direito de me abandonar contra a minha vontade; e, se vos ocorrer fugir, reconhecereis o poder e o direito que tenho de vos torturar até a morte mediante todos os tormentos imagináveis. Não amais a nnguém mais do que eu; para vós sou tudo, a vossa vida, o vosso futuro, a vossa desgraça, o vosso tormento e a vossa alegria. Deveis realizar tudo o que vos peça, tanto se for bem como se for mal, e se exigir que cometeis um crime, devereis converter-vos num criminoso, para acatar a minha vontade. A vossa felicidade me pertence, do mesmo modo que o vosso sangue, o vosso espírito e a vossa capacidade de trabalho. Eu sou a vossa soberana, dona da vossa vida e da vossa morte. Se acontecer que não possais suportar mais a minha dominação e que as vossas cadeias se tornem demasiado pesadas, devereis matar-vos: eu não vos devolverei nunca a vossa liberdade." "Comprometo-me sob palavra de honra a ser o escravo de madame Wanda de Dunaiew, tal como ela o solicitou, e a submeter-me sem oferecer resistência a tudo o que ela me impuser. Dr. Leopold, cavalheiro de Sacher-Masoch." (Comentário de Krafft-Ebing: "este contrato, igualmente publicado por Schlichtegroll, foi estabelecido entre Sacher-Masoch e a sua primeira esposa, a futura Wanda de Dunaiew") volta à página de contratos - volta ao índice |