E O VENCEDOR É... Companheiras e companheiros Conforme anunciamos na carta de fevereiro, o Sindisub antecipa-se a Hollywood e abre o mês de março premiando os melhores do cinema. Sim: é a segunda edição do coniçado troféu Algema de Ouro para filmes sadomasoquistas. Até a metade do ano passado, Gladiador, do americano Ridley Scott, era a grande barbada. Afinal, que produção mereceria mais as honras do Sindicato? A história do escravo que se torna herói arrebatou multidões, e com toda a justiça. No entanto, o prêmio deste ano acabou escapando das mãos do general Maximus, como se fosse uma daquelas Damas romanas que iam às celas dos gladiadores na calada da noite para obterem seus prazeres e depois os abandonavam. A vitória vai mesmo, como não poderia deixar de ser, para Contos proibidos do Marquês de Sade, título infame que o distribuidor brasileiro escolheu para Quills. Mais do que pintar em cores vivas as operversões do ilustre Donatien, o belo filme de Philip Kaufmann é um magnífico libelo em favor da liberdade de expressão e um estudo da necessidade de criar que impele o ser humano a enfrentar todas as barreiras. Vale lembrar a presença de Joaquin Phoenix nas duas películas que disputaram a premiação. pelo jeito, o rapaz vai longe! Além de Quills, porém, o Sindisub se vê na obrigação de premiar outro filme. Por isso, criamos neste ano a categoria Documentário, para dar o troféu a mais um filme que sofreu nas mãos dos tradutores. Sexo e poder: histórias de alcova (Tops and bottoms: sex, power and sadomasochism), da diretora canadense Christine Richey, foi um dos sucessos subterrâneos da Mostra Rio de cinema, em outubro. Como todo filme do gênero, passa por altos (o caso do Dominador traído por sua ex-escrava, ou algumas intervenções interessantes de psicólogos e outros estudiosos) e baixos (a forçação de barra que foi tentar associar o SM ao nazismo ou à sociedade de consumo). No saldo final, porém, Christine, oculta por um narrador demoníaco, conseguiu produzir um belo filme. Ela e Philip Kaufmann se juntam portanto a Stanley Kubrick, vencedor no ano passado com De olhos bem fechados, na galeria dos laureados com a Algema de Ouro. Parabéns! Até abril! submissivamente Gregório