março Companheiras e companheiros Eu juro que não queria falar sobre esse assunto. Não existe nada mais chato do que voltar a um tema que tem sido onipresente na mídia. Mas, diante do festival de sandices que foi dito a respeito, não posso deixar de eleger como tema da carta deste mês a senhorita Suzane Alves, conhecida em todo o país pelo apelido de "Tiazinha". O sucesso da dominatrix de araque, principalmente no último carnaval, deixou a galera baunilha tão atarantada que provocou reações nada inteligentes até mesmo de gente acostumada a raciocinar - e bem! Como a do escritor João Ubaldo Ribeiro, que disse não conseguir imaginar uma situação em que fosse possível senir prazer levando chicotadas (tudo bem, parceiro: cada um na sua!) ou a do jornalista Élio Gaspari, que costuma acertar nas suas análises mas pisou feio na bola ao identificar uma tendência masoquista no povo brasileiro, que se refletiria também em suas opções políticas (como se desinformação provocasse masoquismo; pior ainda, como se os ACM e FH da vida fossem um modelo para as Dominadoras). Por trás das duas bobagens, o mesmo equívoco: o de achar que o sucesso da modelo-e-cantora se deve ao chicotinho que ela traz na mão e nunca usa. Sejamos sérios: Suzane Alves se tornou símbolo sexual do verão de 98 por causa de sua bunda - que, conforme pesquisas informais detectam, é mesmo o grande fetiche do homem brasileiro médio. O resto é acessório. Mas, se a bunda faz sucesso, o chicote provoca mais comentários. Não deixa de ser divertida a reação baunilha. Vejam só: uma simples sugestão de algo que cheire a SM já foi o suficiente para deixar todo mundo confuso. Fico imaginando um fã da Suzane Alves trancado num quarto com uma Dominadora de verdade - não resisitiria dois minutos. Ao contrário do que andam temendo, o Brasil não está se tornando uma nação de fetichistas. Pelo contrário, somos um povo careta. A consagração da "Tiazinha" só poderia ter acontecido mesmo no Carnaval, a festa máxima da mentira e do faz-de-conta. Mais verdade e menos falsificações para todos nós! submissivamente, gregório