ESPÍRITO OLÍMPICO Companheiras e companheiros Não. Vocês não vão me ver cedendo ao lugar-comum de propor uma olimpíada SM, com provas de chicotada à distância ou maratona de podolatria. Sei que é o tipo de gracejo que seria de se esperar de mim, dadas as edições anteriores desta Carta. Mas, especificamente nesse caso, a piada me parece destituída de qualquer sentido. Afinal, dizia o Barão que o importante é competir. Eu não consigo imaginar o que possa ser mais oposto ao universo da Dominação do que esse princípio. Dommes não competem entre si. Escravos “ bem, parece-me que os verdadeiros não ficam se perdendo em mesquinhas disputas de quem serve melhor à sua Rainha. Por paradoxal que possa parecer, vejo apenas um lugar para a competição (entendida como diálogo entre contendores, que se estimulam mutuamente pelas marcas que atingem), e é justamente onde se nega o próprio conceito da medição de forças entre iguais — isso mesmo, entre a Mestra e seu submisso. Claro que, nesse caso, não falamos de uma luta para se saber quem é melhor. Não estamos num esporte, e sim num jogo. Ora, o que caracteriza o jogo é a necessidade da interação. É sempre uma troca. Em nossos jogos, buscamos os limites — pelo prazer de fazê-lo, que transcende a mera vaidade do recorde. Nesse sentido, cada um de nós merece ir ao pódio, não para subir em seu topo mas para prostrar-se diante dele. E receber a medalha de couro. Até novembro — quando estaremos comemorando o segundo aniversário do sindicato! submissivamente gregório P.S. Saudamos a fundação, no mês de setembro, de mais um grupo: o BaGGoz! Bom humor carioca aplicado ao SM. É preciso também registrar a matéria sobre podolatria publicada na "Isto é". Aí vai um trechinho: "Objeto de desejo — ou poder —, fetiche que encantou escritores como Dostoievsky e Sartre, os pés ganharam status. São adornados com jóias, paparicados com banhos de pétalas de flores, tratados com acupuntura. Também servem de tema para livros e alimentam apaixonadas discussões na internet. O escritor curitibano Giuliano Moretti, autor de Tesão por pés - a realidade de um gosto excêntrico, mostra que os pés podem apimentar a relação sexual e sugere posições onde eles desempenham papel fundamental. "No cérebro masculino, a área relacionada ao pênis é adjacente à dos pés", garante."