OUTUBRO Companheiros e companheiras Perambulando entre livrarias, fui atraído recentemente pelo título de uma biografia. "Um escravo chamado Cervantes" revela detalhes da vida de Miguel de Cervantes Saavedra. Entre outras coisas, fala sobre o período em que o escritor e poeta, fugindo a perseguições em sua Espanha natal, foi serviçal do Cardeal de Acquaviva, isso nos idos de 1570. Confesso que foi gratificante descobrir que o autor do "Quixote", um dos marcos da cultura ocidental, faz parte da longa linhagem de escravos-artistas - que, salvo engano, tem seu primeiro grande nome no fabulista Esopo, aquele cujas histórias lhe valeram a emancipação. Bem verdade que a obra máxima do espanhol só seria escrita 35 anos mais tarde, porém osso não vem ao caso. De qualquer forma - e nossa biblioteca está aí como prova - deve existir algo de profundamente inspirador na escravidão. Eu, pelo menos, tenho dificuldades para imaginar o que possa ser mais estimulante à criatividade do que uma bela chicotada no lombo. Mais um motivo para todo escravo ser profundamente agradecido a quem o domina e jamais deixar de buscar - em verso e prosa, e de todas as formas possíveis - retribuir tamanha inspiração. submissivamente, gregório P.S. Teremos mais uma festa no Rio, no dia 30 de outubro!